sexta-feira, 13 de março de 2026

SEMANA NACIONAL ANIMAL

Subsídios ao Estatuto dos Cães e Gatos 

A convivência entre pessoas e animais de companhia tornou-se uma realidade estrutural nas cidades brasileiras. Ao mesmo tempo em que crescem os casos de abandono e maus-tratos, também surgem novas iniciativas públicas voltadas à proteção animal.

Nesse contexto foi elaborada a segunda edição do documento de subsídios ao Estatuto dos Cães e Gatos, reunindo análise técnica, referências legislativas recentes e observações sobre o cenário atual da causa animal no Brasil.

O material busca contribuir para o debate institucional sobre manejo populacional, políticas públicas de castração, atuação de redes de voluntariado e organização das políticas nacionais de proteção animal.


SEMANA NACIONAL DOS ANIMAIS E O PRESIDENTE LULA

Governo do Brasil anuncia pacote de medidas para fortalecer a proteção animal

Programação marcou lançamento de iniciativas, ampliação de multas por maus-tratos e criação de espaço permanente de participação social para orientar políticas públicas até 2030, até lá vamos planejar!

O Governo do Brasil anunciou, nesta quinta-feira (12/3), um conjunto de medidas para fortalecer a proteção e os direitos dos animais no país, durante evento em celebração à Semana Nacional dos Animais, promovido pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Entre as iniciativas estão a ampliação das multas por maus-tratos, a criação da Conferência Nacional de Direitos Animais, a instituição de uma política para acolhimento de animais resgatados em desastres e o lançamento de novos instrumentos de resposta a emergências que afetam a fauna. As ações também marcam o início da construção participativa de diretrizes que vão orientar as políticas públicas da área entre 2026 e 2030.( continua)


quarta-feira, 11 de março de 2026

BEM ESTAR ANIMAL NA ESCOLA.

Educação que vira caráter: proteção animal na escola (e a BNCC agradece)

Porto Velho (RO) começou 2026 fazendo o básico bem feito: levar proteção e bem-estar animal pra dentro das escolas municipais — com palestra, atividades interativas e linguagem ajustada por faixa etária.

A ação começou em 23/02/2026, na EMEF Bom Jesus (zona Leste), e entra num calendário anual da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema). Os temas são bem pé-no-chão: cuidados básicos, o que é maus-tratos, consequências legais, leis de proteção, canais de denúncia, adoção/castração e até informação sobre a Clínica de Bem-Estar Animal do município.Fonte da notícia: O Estado de Rondônia.

Tá, mas onde entra a BNCC nessa história?

3 ideias simples (e baratas) pra qualquer escola replicar

·   Mapa do bairro: os alunos levantam pontos de risco (abandono, lixo, atropelamento), e viram “agentes mirins” de cuidado.

·   Roda do “isso é maus-tratos?” com exemplos reais (sem gore, sem trauma) + o que fazer e a quem acionar.

· Projeto mini-ciência: água, abrigo, alimentação, vacina, castração — e como isso impacta saúde pública (zoonoses) e convivência.

Entra no lugar certo: formar gente, não só “passar conteúdo”. A BNCC define competência como mobilizar conhecimentos + habilidades + atitudes e valores pra resolver demandas da vida, exercer cidadania e conviver melhor. Isso é literalmente o que acontece quando a escola ensina criança a reconhecer maus-tratos, respeitar vida e agir com responsabilidade.

Referência oficial da BNCC (PDF): BNCC – Educação Infantil e Ensino Fundamental.

E tem mais: o MEC também trata os Temas Contemporâneos Transversais como caminho pra atravessar disciplinas e conectar escola com o mundo real (meio ambiente, cidadania, ética, saúde etc.). Proteção animal encaixa como uma luva nesse pacote.

Guia (MEC/BNCC) – Temas Contemporâneos Transversais (PDF): Guia Prático – TCT na BNCC.

Porque educação não é só prova. É o que a pessoa faz quando ninguém tá olhando.


terça-feira, 10 de março de 2026

RECURSOS FEDERAIS PARA CASTRAÇÃO

O Programa Nacional de Manejo Populacional Ético de Cães e Gatos, instituído por decreto presidencial, já possui execução financeira em curso. Coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente, por meio da Secretaria de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais e do Departamento de Proteção, Defesa e Direitos Animais, o programa começa a transferir recursos a municípios. Os repasses podem ser acompanhados nos sistemas públicos de controle.
 
 CONSULTE:
 
Durante décadas, a medicina veterinária tratou a castração cirúrgica como solução definitiva para o controle populacional de cães e gatos. Tecnicamente, ela funciona. Biologicamente, é eficiente. Estatisticamente, reduz natalidade.
Mas no mundo real — especialmente fora do consultório ideal — ela falha onde mais importa: depois da cirurgia.

O Governo Federal brasileiro, por meio do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, tem intensificado os investimentos em políticas de manejo populacional ético de cães e gatos, com um crescimento expressivo no volume de recursos voltados para a castração.

Aumento de Investimento: O Brasil projeta um aumento de 601% no investimento público em castrações entre 2023 e 2026, com previsão de alcançar um total de R$ 236,9 milhões aplicados até o fim de 2026.

Ações 2026: No início de 2026, novas campanhas e programas de castração gratuita foram anunciados em diversas regiões do país.

Objetivo: Os recursos federais, incluindo emendas parlamentares, visam fortalecer o Programa Nacional de Proteção e Manejo Populacional Ético de Cães e Gatos (ProPatinhas). 

www.gov.br +4

Nota: Os dados refletem o cenário de início de 2026, com foco em programas de "castração gratuita" e "manejo populacional".

Colares elizabetanos, bandagens, curativos e orientações ao tutor partem de uma premissa frágil: a de que o animal aceitará passivamente uma intervenção que contraria seus reflexos mais básicos.

JUSTICA RECONHECE O BEM ESTAR DE CÃES E GATOS

CNJ Serviço: Animais também têm direitos e quem cuida, obrigação

Notícias CNJ



Quando uma pessoa faz a opção de ter um animal de estimação deve ter a consciência de que se trata de uma relação para toda a vida do bicho. Alimentar, cuidar da higiene e garantir o bem-estar do animal estão entre os deveres de quem resolve criar um.

A falta dessa consciência muitas vezes resulta em abandono, ainda que não intencional, por parte do dono do bicho. E abandonar um animal pode configurar maus-tratos. Deixar um cachorro doente, sem o tratamento veterinário ou mantê-lo acorrentado durante todo o dia, sem sociabilizar com outros animais ou com a família são alguns exemplos de conduta que podem levar até à responsabilização criminal do dono do animal.

Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98), que dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, prevê punição para quem pratica abuso, maus-tratos, fere ou mutila animais, sejam eles silvestres, domésticos ou domesticados. A pena pode variar de três meses a um ano de detenção, além do pagamento de multa, e pode ser aumentada de um sexto a um terço caso ocorra a morte do animal.

Animais silvestres – Matar, perseguir, caçar, apanhar e utilizar espécies da fauna silvestre, nativa ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente é considerado crime ambiental. A pena prevista é de seis meses a um ano de detenção, além de multa. A mesma pena vale para quem vende, expõe à venda, guarda, exporta ou adquire, tem em cativeiro ou depósito sem licença ou autorização legal.

Para todos esses casos a pena pode ser aumentada em 50% se o crime praticado for contra espécie rara ou considerada ameaçada de extinção, ainda que somente no local da infração. Se o crime decorrer do exercício de caça profissional, a pena pode ser triplicada.

Se você presenciar situação de maus-tratos de animais domésticos ou domesticados, denuncie à polícia. Em caso de tráfico de animais, a denúncia pode ser feita diretamente ao Ibama, pelo telefone 0800 61 8080.

Agência CNJ de Notícias

 


PORQUE A CARROCINHA ACABOU?

O fim da carrocinha não acabou com o dever de prevenir o aumento da população de Cães e Gatos nas rua, nem as Zoonoses

Durante décadas, a chamada “carrocinha” foi símbolo de crueldade urbana. A pressão social levou ao seu fim em boa parte do Brasil — um marco comemorado como avanço civilizatório.

Mas há um dado incômodo que raramente entra na pauta:

  • O fim da carrocinha não eliminou o problema.
  • Apenas o retirou do campo de visão.

Quando os animais eram recolhidos, o tema era visível — havia choque, debate, indignação. Hoje, cães e gatos abandonados morrerem lentamente nas ruas, longe das câmeras.

A sociedade trocou um mecanismo imperfeito por uma omissão estrutural.

Sem recolhimento sistemático, sem manejo populacional em escala e sem responsabilização efetiva de tutores, o país saiu de alguns milhões de animais errantes para dezenas de milhões nas últimas décadas.

O sofrimento não diminuiu.

Só ficou invisível.

A antiga eutanásia — ainda que questionável — foi substituída por:

  • - fome prolongada
  • - doenças infecciosas
  • - reprodução descontrolada
  • - atropelamentos
  • - mortes silenciosas em áreas periféricas

Esse novo cenário tem impacto direto na saúde pública.

Cães e gatos não manejados são reservatórios e vetores potenciais de zoonoses, além de pressionarem sistemas municipais já fragilizados.

Enquanto isso, no cenário internacional, países enfrentam o problema de forma explícita — ainda que controversa.

O caso mais recente é o Marrocos, que voltou ao noticiário global por políticas de extermínio de cães de rua em larga escala.

O contraste é inevitável:

Lá, a resposta é violenta e direta.

Aqui, a resposta tem sido a negação.

Nenhum dos dois caminhos resolve o desafio de forma ética e sustentável.

Mas a invisibilidade tampouco é solução.

O debate precisa sair da esfera emocional e entrar no campo da política pública baseada em:

- manejo populacional contínuo

- esterilização em escala

- vigilância sanitária territorial

- responsabilização legal

O Brasil discute atualmente ajustes no Estatuto dos Cães e Gatos em tramitação no Senado — uma oportunidade concreta para tratar o tema não como pauta moral, mas como questão estrutural de saúde pública.

A pergunta que permanece é simples:

Se a sociedade rejeitou a crueldade visível, está disposta a enfrentar o sofrimento invisível?

segunda-feira, 9 de março de 2026

A PIRÂMIDE SOCIAL DOS ANIMAIS DE COMPANHIA

Nas cidades brasileiras, cães e gatos vivem realidades muito diferentes. Alguns vivem em casas com assistência veterinária, enquanto outros sobrevivem nas ruas sem qualquer proteção.

Essa desigualdade pode ser compreendida através do conceito da Pirâmide Social dos Animais de Companhia.

No topo estão os animais com tutor e acesso a cuidados veterinários. Logo abaixo estão os animais de famílias com menor renda, que dependem muitas vezes de campanhas públicas.

Mais abaixo aparecem os animais comunitários, que vivem em determinado território e recebem alimentação ou cuidado informal da população local.

Na base da pirâmide estão os animais errantes, sem tutor e sem proteção comunitária, onde se concentram os maiores problemas sanitários e populacionais.

No ponto mais invisível estão os animais em situação extrema: abandonados, feridos ou vivendo em colônias desestruturadas.

O grande desafio das políticas públicas é que muitas vezes elas são desenhadas olhando o topo da pirâmide, enquanto o sofrimento real e o crescimento populacional acontecem justamente na base.

Reconhecer essa estrutura é fundamental para construir políticas públicas eficientes de controle populacional, saúde pública e bem-estar animal.

A BUROCRACIA E A CAUSA ANIMAL

Controle populacional de cães e gatos: quando a burocracia custa mais que a solução

O controle populacional de cães e gatos abandonados é reconhecido mundialmente como uma política de saúde pública. Modelos recomendados pela Organização Mundial da Saúde defendem programas baseados em captura humanitária, esterilização e vacinação, permitindo reduzir gradualmente a população de animais de rua.

No Brasil, a política de controle de natalidade foi estabelecida pela Lei Federal nº 13.426/2017, que orienta programas públicos de esterilização.

No entanto, em diversas cidades, campanhas de castração passaram a exigir exames laboratoriais e protocolos típicos de clínicas privadas, elevando custos e reduzindo drasticamente o número de animais atendidos.

Além disso, políticas recentes incluem a obrigatoriedade de microchipagem vinculada ao cadastro nacional previsto no SinPatinhas.

A identificação eletrônica pode ser útil para monitoramento e rastreabilidade, mas levanta questionamentos importantes: quem fornece os chips? qual o custo para os municípios? e qual o impacto real na redução do abandono?

Especialistas alertam que o foco principal das políticas públicas deve permanecer na esterilização em larga escala, especialmente para animais errantes e comunitários, onde se concentra o maior desafio populacional.

Sem políticas eficientes voltadas à base da pirâmide social dos animais de companhia, o país corre o risco de gastar mais recursos públicos e alcançar menos resultados no enfrentamento do abandono animal.


A CAUSA ANIMAL E AS ELEIÇÕES DE 2026: QUANDO CADA PET TAMBÉM REPRESENTA VOTOS

Nos últimos meses, a causa animal voltou ao centro do debate público no Brasil. Não apenas por avanços legislativos, mas também por episódios que mobilizaram a sociedade e evidenciaram algo que muitos já percebem nas ruas: a proteção animal deixou de ser um tema periférico e passou a ter impacto social — e também eleitoral.

Entre os avanços institucionais recentes destacam-se iniciativas como o programa Sin Patinhas, voltado ao apoio a políticas públicas para cães e gatos, além do fortalecimento de normas que garantem o resgate de animais em situações de desastres naturais, tema que ganhou urgência após tragédias climáticas recentes no país.


Ao mesmo tempo, fatos que tocaram profundamente a opinião pública ajudaram a consolidar a pauta animal como tema nacional.

O caso do cavalo Orelha, que emocionou milhares de brasileiros, tornou-se símbolo do debate sobre abandono e exploração de animais nas cidades.

A chamada Lei Bob Coveiro, inspirada na história de um cão que acompanhava enterros em um cemitério e conquistou o carinho da população, transformou um episódio de empatia coletiva em reflexão sobre a relação entre humanos e animais.

Também ganhou repercussão nacional a proposta conhecida como Lei do Caramelo Paulista, que transformou o tradicional “vira-lata caramelo” em símbolo cultural e instrumento de conscientização sobre abandono e adoção responsável.

Esses episódios mostram uma mudança cultural importante: os animais de companhia passaram a ser reconhecidos, na prática, como parte das famílias brasileiras.

E isso tem consequências sociais e políticas concretas.

Hoje, o Brasil possui dezenas de milhões de cães e gatos vivendo dentro dos lares. Cada um deles representa vínculos afetivos reais e uma expectativa crescente de que o poder público trate temas como abandono, maus-tratos, controle populacional e resgate em desastres de forma séria e estruturada.

Por isso, uma frase tem circulado com frequência entre observadores da vida pública:

“Cada pet vale dois ou mais votos.”

Pode parecer uma simplificação, mas carrega uma realidade evidente: quando políticas públicas afetam diretamente os animais de companhia, elas também mobilizam milhões de cidadãos que convivem com eles todos os dias.

A pauta animal hoje dialoga diretamente com temas amplos da sociedade:

              saúde pública e prevenção de zoonoses

             manejo populacional responsável de cães e gatos

             combate aos maus-tratos

             apoio a protetores e voluntários

            integração da proteção animal às políticas de defesa civil

                educação para convivência responsável

À medida que o Brasil se aproxima das eleições majoritárias de 2026, cresce também a atenção da sociedade sobre como governos, instituições e lideranças públicas tratam essas questões.

A proteção animal deixou de ser apenas um gesto de sensibilidade. Ela passou a refletir valores coletivos sobre responsabilidade social, saúde pública, cidadania e respeito à vida.

Talvez por isso uma percepção esteja se consolidando em todo o país:

quem protege os animais também demonstra compromisso com a sociedade que convive com eles.


domingo, 8 de março de 2026

OS PET’S E A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Pets revelam sinais silenciosos de violência doméstica

Conflitos com animais nem sempre são violência, mas padrões repetidos exigem atenção

No Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, a discussão sobre violência doméstica costuma ganhar espaço. Porém, nem sempre todos os seus sinais são reconhecidos. Entre eles, há um aspecto ainda pouco debatido: quando o animal de estimação se torna alvo de tensão, crítica ou ameaça dentro da relação. O que pode parecer, à primeira vista, um simples conflito de convivência, em alguns contextos revela padrões de controle, desqualificação e coerção que atingem a mulher por meio de um vínculo afetivo que ela não deseja (ou não consegue) romper.

Preferência por animais de estimação não define caráter nem funciona, por si só, como marcador de personalidade. Há motivos legítimos para manter distância de pets, como alergias, fobias, experiências negativas anteriores, valores familiares ou limites pessoais. O que realmente merece atenção é a forma como essa preferência aparece na convivência, sobretudo quando há uma relação afetiva em que o animal já ocupa um lugar importante, porque é nesse ponto que se torna possível observar se existe respeito pelo que é valioso para o outro e se há disposição para construir uma vida em comum sem transformar diferenças em disputa