O termo zoossadismo não é exagero retórico — é uma descrição precisa de uma realidade que se repete, escala e se normaliza. A recente matéria e o debate promovido pelo Fórum Permanente de Pós-Humanismo e Defesa dos Animais Cláudio Cavalcanti deixam claro: há uma transformação em curso.
E ela não é civilizatória.
A ideia confortável de que “sempre foi assim” não se sustenta. A história registra violência, sim — mas não a banalização sistemática, pública e até exibida como entretenimento, como vemos hoje. Isso não é herança da antiguidade. Isso é um produto do nosso tempo.
Temos hoje:
- Casos recorrentes de tortura deliberada contra animais
- Participação de jovens e adultos em práticas de crueldade ativa
- Exposição e circulação dessas práticas como conteúdo
Isso não é descuido. É intenção.
E mais grave: isso é sintoma de um problema estrutural que estamos ignorando.
A superpopulação de cães e gatos, aliada à ausência de políticas públicas eficazes, cria o ambiente perfeito para abandono, negligência e, no limite, a violência extrema.
Os dados que reunimos — inclusive nas dezenas de notícias recentes sobre maus-tratos — já são suficientes para caracterizar uma crise.
A pergunta não é mais “se” devemos agir.
A pergunta é: por que ainda não estamos agindo de forma coordenada e efetiva?
Nesse contexto, defendemos:
- O reconhecimento do zoossadismo como fenômeno social emergente, não como exceção.
- O uso de instrumentos de pressão institucional — como o ECG e outros mecanismos — para exigir ação concreta do poder público.
- A implementação de políticas contínuas de controle populacional (castração em escala, identificação, fiscalização).
- A responsabilização efetiva de agressores, com enquadramento compatível com a gravidade dos atos.
Não se trata apenas de proteção animal.
Trata-se de reconhecer que uma sociedade que tolera — ou ignora — esse nível de crueldade está, ela mesma, em processo de deterioração.
O material jurídico e conceitual apresentado na matéria abaixo pode — e deve — servir como base para avançarmos:
https://www.conjur.com.br/2026-mar-04/zoossadismo-a-tortura-contra-animais-e-o-caso-do-cao-orelha/
Não é mais possível tratar isso como episódios desconectados.
Estamos vendo o mesmo padrão, repetido.
E isso exige resposta.
Atenciosamente,
SUBSIDIOS TECNICO LEGISLATIVO AO ESTATUTO DOS CÃES E GATOS
