A prevenção efetiva de zoonoses urbanas não pode ocorrer dissociada do manejo populacional de cães e gatos.
O avanço normativo que afastou o modelo histórico de recolhimento indiscriminado e eliminatório representou importante evolução ética. Contudo, observa-se que, em muitos contextos locais, essa mudança tem sido interpretada como afastamento dos serviços de Vigilância de Zoonoses de qualquer atuação operacional relacionada à captura humanitária.
Tal interpretação compromete a própria finalidade sanitária do serviço.
Situações recorrentes em áreas urbanas — como formação de agrupamentos de cães em torno de fêmeas no cio, conflitos em via pública e riscos de acidentes e mordeduras — configuram não apenas questões de bem-estar animal, mas eventos com impacto direto na saúde coletiva.
O manejo populacional, baseado em:
- · contenção humanitária
- · captura segura
- · esterilização
- · retorno assistido
Constitui instrumento reconhecido de prevenção.
Sem a etapa de captura técnica e logística básica, programas municipais de esterilização tornam-se inviáveis, enfraquecendo a capacidade preventiva do sistema.